Os batimentos cardíacos ficam sincronizados entre pessoas que experimentam uma mesma experiência cognitiva

A interação mente e corpo se manifesta de inúmeras maneiras e uma delas é a influência que as artes têm sobre nosso batimento cardíaco. Um novo estudo revela que isso se dá de forma independente do conteúdo emocional das obras.


Já é bem conhecido que entre indivíduos saudáveis os batimentos cardíacos flutuam de acordo com mudanças de atividade do sistema nervoso autônomo, simpático e parassimpático. O pensamento tem grande influência sobre esse sistema. Fazer atividade física, por exemplo, provoca aumento na frequência cardíaca, mas o simples pensamento no exercício físico também é capaz de aumentar o ritmo do coração. Essa conexão mente e corpo faz com que os batimentos cardíacos sejam mais lentos durante a meditação e mais rápidos em situações de suspense e surpresa.

As flutuações da atividade autonômica são sincronizadas entre pessoas que experimentam a mesma atividade cognitiva. Isso já foi demonstrado em pessoas que estão assistindo ao mesmo filme ou ouvindo a mesma música. Pesquisadores franceses agora testaram esse fenômeno de sincronização ao ouvir um audiobook de Julio Verne – Vinte Mil Léguas Submarinas. E de novo eles mostraram que os batimentos cardíacos dos voluntários jovens e saudáveis eram síncronos, só que desta vez enquanto ouviam a narrativa de Julio Verne. Os resultados são valiosos, pois a maioria dos estudos sobre o tema foram conduzidos com os participantes num contexto de plateia. No presente estudo não houve interação entre os voluntários.

Demostraram também, através de dois outros experimentos, que isso só acontece se os voluntários estão realmente prestando atenção ao conteúdo e que isso é independente da emoção, já que a mesma sincronia acontecia com vídeos instrutivos que não evocava qualquer emoção. E foram mais além. Testaram indivíduos em coma e estado vegetativo persistente que mostraram baixíssima sincronização dos batimentos cardíacos ao serem expostos a um audiobook. Quando avaliados após seis meses, alguns deles que mostraram algum grau de sincronização apresentaram também recuperação discreta do estado de consciência. Futuros estudos com um maior número de pacientes e associados à monitorização de aspectos neurofisiológicos devem ser realizados para definir se a sincronização dos batimentos cardíacos com outros indivíduos é uma medida válida como fator preditivo na recuperação da consciência.


       

Confira o áudio da coluna Cuca Legal, uma parceria do ICB com a Rádio CBN Brasília: