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Oito horas de trabalho por semana é o que precisamos para nossa saúde mental

Um dia desses conheci uma senhora que perdeu o emprego para um robô. Isso já está acontecendo. Ela fazia serviços de limpeza em um shopping e descreveu as habilidades da máquina para fazer o mesmo serviço. O robô jogava o produto de limpeza no chão, esfregava e depois secava.

Com o crescente desenvolvimento nas próximas décadas da inteligência artificial e da robótica, já é esperado que o trabalho fique cada vez mais escasso e já se discute como será essa adaptação. O velho modelo de 40 horas de trabalho semanal não será mais viável. O trabalho precisará ser redistribuído.

O impacto positivo do trabalho na vida das pessoas vai além do fator econômico. Estamos falando de incremento na autoestima e socialização. A ciência busca medir a dose recomendável de muitas coisas do nosso dia a dia, como sono e atividade física, mas agora, pesquisadores ingleses das Universidades de Cambridge e Salford identificaram uma dose ideal de trabalho que promova o bem-estar psíquico. A pesquisa foi publicada recentemente no periódico Social Science and Medicine e mostrou que oito horas de trabalho por semana é um número que já produz os efeitos psicológicos positivos apontados acima. Oito horas é melhor do que quatro, melhor do que estar desempregado e mais do que oito horas não trazem ganhos psicológicos e maior satisfação com a vida.

A pesquisa incluiu 70 mil ingleses com idades entre 16 e 64 anos e que foram acompanhados por uma década. Os autores do estudo acreditam que em uma década a semana de trabalho dos ingleses deverá ser reduzida para quatro dias e dão sugestões para esse futuro que já não está distante:

– finais de semana de cinco dias;

– poucas horas de trabalho por dia;

– férias de meses de duração ou dois meses de férias a cada mês trabalhado.

Que tal?


Por Dr. Ricardo Teixeira

 

 

Será que os opostos se atraem mesmo?

A tal história que os opostos se atraem realmente parece ser um mito. As pessoas costumam se casar com outras com nível educacional / socioeconômico parecido, com crenças religiosas e políticas semelhantes e que têm mais interesses em comum. Até o DNa do outro faz diferença.
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Qual a cor da sua inveja? Branca ou marrom?

Situações competitivas podem gerar sentimentos positivos de identificação com outros membros do grupo capazes de gerar alianças, mas podem também estimular sentimentos como a inveja e até mesmo satisfação com o infortúnio dos outros. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer dizia que sentir inveja é humano, gozar do infortúnio dos outros é diabólico.

Atualmente reconhece-se que há dois tipos de inveja: uma benigna e outra maliciosa. No caso da inveja benigna, o que é invejado é uma coisa, como o carrão novo do vizinho. Essa inveja também é conhecida como inveja branca. No caso da inveja maliciosa, a inveja é de uma pessoa e não da coisa em si. Essa é a inveja marrom.

Temos evidências de que quando a inveja é mais focada na pessoa do que na coisa, ela vem frequentemente acompanhada do sentimento que a língua alemã chama de “schadenfreude” – prazer pelo infortúnio dos outros. Nesse caso, a depender da situação, há uma forte presença de desumanização, rivalidade ou senso de justiça social.

Já foi demonstrado que algumas regiões cerebrais são fortemente envolvidas no processamento desses sentimentos. Pesquisadores israelenses da Universidade de Haifa mostraram que indivíduos que apresentam lesões cerebrais nas regiões frontal e parietal têm reduzida capacidade de sentir inveja ou prazer com o infortúnio alheio em testes psicológicos que simulam esses sentimentos.

Pesquisadores japoneses apontaram que as mesmas áreas cerebrais ativadas no processo de dor física são ativadas também em testes psicológicos que envolvem a “dor” de assistir o sucesso do outro. Mostraram ainda que testes psicológicos que envolvem a percepção do infortúnio alheio ativam o mesmo circuito de recompensa cerebral que é ativado quando experimentamos situações prazerosas como comer uma barra de chocolate. Ambientes de trabalho competitivos são palcos propícios para a expressão desses sentimentos que podem ser vistos como o “dark side” da experiência humana. Uma dica valiosa para um líder de equipe é priorizar incentivos para o grupo e não para os indivíduos isoladamente.

O comportamento animal é recheado de atributos competitivos como a disputa por território, parceiros sexuais e alimentos. A neurociência tem-nos mostrado que não somos tão diferentes assim e cada um de nós carrega diferentes graus desses instintos arcaicos. Desde que bem dosados, ciúme, interesse pela vida alheia, inveja e prazer com o infortúnio dos outros, não devem ser vistos como sentimentos que devem ser reprimidos a todo custo. Todos eles fazem parte de um grande repertório que colaborou sobremaneira para o sucesso da espécie, e ainda deve colaborar em certo grau.

Por Dr. Ricardo Teixeira

 

 
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