Uma mentira leva a outra. Como isso funciona no cérebro?

Estima-se que as pessoas contem em média duas mentiras brancas por dia. Mentira branca é aquela que tem sua função social de não insultar o outro, como falar que o prato está ótimo, quando na verdade está muito salgado. Entretanto algumas pessoas têm o hábito compulsivo de contar mentiras, muitas vezes enganosas e maliciosas. E quanto mais se mente, mais fácil fica para o cérebro continuar mentindo.
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“Dia do Cérebro”, com os Drs. Ricardo Teixeira e Leandro Teles – BDB Cultural

Confira o bate-papo entre os neurologistas e escritores Leandro Teles, autor de “Os desafios do Cérebro”, e Ricardo Teixeira, de “Prezado Doc! – a Improvável Conversa Entre Um Médico e Um Humorista”. Ambos são conhecidos por aproximar a neurologia, que parece muito distante do cotidiano, para o dia a dia. E ao contrário do que boa parte do público pensa, não basta apenas fazer palavras cruzadas e ler bastante para se ter uma mente sã e um bom funcionamento do sistema nervoso.

 

 

 
 

Dois lados da cafeína após uma noite maldormida.

Por Dr. Ricardo Teixeira*

O uso da cafeína após a privação de sono nos deixa mais alerta, mas não resolve tudo. Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, acabam de publicar um estudo demonstrando que uma noite maldormida deixa o cérebro menos eficiente em tarefas que demandam atenção e outras funções executivas. Mostraram também que uma dose de cafeína tem o poder de melhorar o desempenho cognitivo apenas em tarefas que exigem vigília e atenção, mas não naquelas que exigem processamento executivo mais complexo. Os resultados são relevantes para profissionais que confiam na cafeína após a privação de sono. A chance de erro é maior.

Por outro lado, a cafeína pode amenizar a tendência a comportamentos de risco associados à privação de sono, independente do estado de alerta do indivíduo. A privação de sono deprime a função dos sistemas envolvidos no julgamento e percepção de risco e a cafeína minimiza esses efeitos negativos.

Uma pesquisa demonstrou, através de Ressonância Magnética Funcional e testes psicológicos, que uma noite sem dormir muda a forma como o cérebro processa a chance de ganhar ou perder. Uma noite com privação do sono provoca aumento de atividade cerebral em regiões que processam expectativas otimistas e reduz a atividade de outras que processam expectativas pessimistas. Além disso, os testes psicológicos evidenciaram que os voluntários se mostraram mais sensíveis a recompensas e com menor sensibilidade a consequências negativas.

As repercussões desse tipo de mudança de comportamento do cérebro não devem ser tão inocentes. Já sabemos que problemas de sono só perdem para o álcool como causa de desastres no trânsito, especialmente pela redução da atenção e dos reflexos. Imaginem se ainda adicionamos uma pitada de comportamento valente e de risco.

* Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

 
 

A cor de um isotônico pode ajudar no seu treino. E nem precisa ingerir.

Por Dr. Ricardo Teixeira*

Um estudo recém-publicado pelo periódico Frontiers in Nutrition aponta que uma bebida cor de rosa permite maior resistência e velocidade durante uma corrida. E esse efeito aconteceu apenas com o contato do liquido na cavidade bucal, sem ingestão.  

É a primeira vez que se demonstra o efeito da cor de uma bebida no desempenho esportivo. O aumento da velocidade e da distância percorrida foi de 4.4% e houve uma sensação de maior bem-estar no treino que fez com que o exercício parecesse mais fácil. A bebida cor-de-rosa foi comparada a outra transparente, ambas sem qualquer teor calórico, com o mesmo sabor adocicado (sucralose). A cor rosa foi escolhida por criar a expectativa de que a bebida é mais doce, mais calórica, o que já foi demonstrado em diversas culturas. Os próprios voluntários do estudo acharam que a bebida rosa era mais doce.

Pesquisas anteriores já tinham revelado que o bochecho de bebidas com baixo teor calórico durante uma atividade física melhora o desempenho por reduzir a percepção da intensidade do exercício, o que também foi demonstrado no presente estudo. Só que desta vez sem calorias e com o visual rosa, ambos atributos funcionando como placebo. O contato de bebidas com algum teor calórico com a mucosa oral é capaz de estimular o sistema de recompensa cerebral, além de criar a expectativa da ingestão calórica que inibe os circuitos centrais associados à fadiga. E o efeito é ainda maior se o líquido é cor-de-rosa, mesmo se não tiver calorias!

 

* Dr. Ricardo Teixeira é neurologista e Diretor Clínico do Instituto do Cérebro de Brasília

 
 
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