Luz e barulho influenciam o que e o quanto você come

Quase ninguém duvida que uma experiência sensorial tenha o poder de influenciar outros sentidos. É a história, por exemplo, da música e da iluminação abrindo seu apetite.


Temos muitas evidências da influência de uma experiência sensorial sobre outras. Somos mais intolerantes ao barulho, por exemplo, em ambientes claros. Sabemos também que jantar com iluminação discreta faz com que a gente tenha tendência a comer menos. Por outro lado, essa penumbra favorece a escolha de alimentos menos saudáveis. Uma boa hipótese para explicar essa influência da luz é que no claro estamos mais atentos, inclusive para escolher as opções mais saudáveis do cardápio. Um experimento chegou a demonstrar que pílulas de cafeína placebo faziam com que as pessoas pedissem alimentos saudáveis em ambientes escuros na mesma proporção do que nos bem iluminados.

E quanto ao barulho? Um estudo recém-publicado pelo Journal of the Academy of Marketing Sciences demonstra que, quanto menor o volume da música no ambiente, mais escolhas saudáveis fazemos no restaurante. Uma possível explicação é que o volume alto do som promove um estresse que dificultaria escolhas mais conscientes. A pesquisa foi conduzida em um café na cidade de Estocolmo na Suécia por vários dias consecutivos.

Essa influência que uma experiência sensorial tem sobre a outra é uma linha de pesquisa fortemente desenvolvida pela Universidade de Oxford na Inglaterra e liderada pelo psicólogo Charles Spence. Ele demonstrou que uma refeição rica em alimentos doces ou azedos ficará mais saborosa se a música tiver tons mais agudos. Se tiver gostos amargos ou unamis**, música com tons graves realçará os sabores.

O laboratório de Spence testou também diferentes músicas para diferentes vinhos.  O mesmo vinho é considerado mais encorpado ao som de Carmina Burana de Carl Orff quando comparado ao som de uma cantora pop como Fernanda Takkai.

Spence tem levado suas experiências para o mundo real. Ele criou uma playlist para a British Airways direcionada ao cardápio dos vôos e dá seus pitacos em restaurantes sofisticados. Defende também a ideia de que uma pasta fica mais autêntica se tiver uma música italiana ao fundo, cítaras para comida indiana, e por aí vai.

** unami é reconhecido como um quinto tipo de sabor, lado a lado com doce, azedo, amargo e ácido.  Unami é uma palavra de origem japonesa e significa delicioso, saboroso.  Alimentos ricos em glutamato, como as algas marinhas, cogumelos shitaki e crustáceos são exemplos do sabor unami. Na verdade, o sabor nem é tão divino, mas ele torna agradável a palatabilidade de um grande número de alimentos. É a delícia do queijo parmesão por cima do molho bolonhesa

 

 

Confira o áudio da coluna Cuca Legal, uma parceria do ICB com a Rádio CBN Brasília: