O líquor, ou líquido cefalorraquidiano, é popularmente conhecido como “líquido da espinha”. É produzido no cérebro, distribuindo-se pelo espaço entre a superfície cerebral e o crânio e ao redor da medula espinal. Seu volume total é renovado três vezes por dia, e depois de circular pelo espaço subaracnóide (entre as meninges), é absorvido pelo sistema venoso. Sua principal função é a de servir como um amortecedor entre o cérebro e a caixa óssea craniana, mas também exerce importante papel como interface entre o cérebro e o sangue na troca de fluidos e eletrólitos, além de ser um dos fatores de regulação da pressão intracraniana.
A punção lombar é a maneira mais comum de coletar uma amostra de líquor. O paciente é posicionado de lado com os joelhos encolhidos e encostados no abdome e o queixo encostado no tórax (posição fetal). A pele é esterilizada e anestesia local é feita no nível do espaço entre a terceira e a quarta vértebras lombares.
Antes da coleta, mede-se a pressão de saída do líquor. Cerca de 10 ml do líquor são coletados e após o procedimento recomenda-se ao paciente que permaneça o restante do dia deitado e que beba grande quantidade de líquidos para evitar dor de cabeça pós-punção, complicação que pode ocorrer em uma pequena parcela das punções.
A análise do líquor é fundamental para o diagnóstico das meningites agudas ou crônicas, encefalites, doenças desmielinizantes, aneurismas cerebrais rompidos, neoplasias e doenças inflamatórias com comprometimento do sistema nervoso central.